Sabemos o suficiente sobre o fumo em narguilés?

O fumo em narguilés é mais nocivo que outras formas de consumo de tabaco? Quanta nicotina ele fornece? Precisamos de mais evidências para começar a combater o problema globalmente?

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Essas perguntas estão rondando a arena do controle do tabaco há algum tempo.

O narguilé é uma forma pouco estudada de fonte de nicotina. Estudos já derrubaram alguns de seus mitos — comparados aos cigarros, os narguilés não são uma forma mais “suave” de fumo, e a água usada não filtra nenhum dos compostos nocivos da fumaça.[1,2]

Avaliando os danos

Determinar o teor de nicotina do fumo em narguilés pode ser um desafio para pesquisadores do controle do tabaco. É difícil avaliar, pois a nicotina fornecida por um narguilé depende do tipo e da quantidade de tabaco usados em uma preparação, e também de quanto tempo duram as sessões de fumo.[3,4]

Além disso, a quantidade de nicotina fornecida depende da duração, da frequência e da profundidade da inalação durante o fumo. Recentemente, alguns estudos padronizaram essas variáveis em uma tentativa de avaliar os danos de narguilés em comparação com os cigarros. Os achados mostraram que a quantidade de nicotina fornecida por narguilés é semelhante à quantidade fornecida por cigarros. A partir disso, podemos concluir que ambos os métodos de fumo podem criar dependência.[2,5]

Talvez o mais surpreendente seja que, em comparação ao consumo de cigarros, o fumo em narguilés resulta em níveis plasmáticos mais altos de carboxihemoglobina e um aumento de mais de 50 vezes no volume de fumaça inalada, o que, por sua, poderia estar correlacionado a mais doenças e mortes.[2]

Medindo o uso

O desafio da avaliação dos efeitos nocivos dos narguilés não se restringe a simplesmente avaliar processos bioquímicos — monitorar seu uso também é difícil, pois muitos fumantes de narguilé não se consideram fumantes. Do contrário, eles simplesmente acreditam que estão “fumando socialmente.”[6]

Comparado ao consumo de cigarros, o fumo em narguilés tem um forte apelo social — é realizado por grupos de pessoas em cafés específicos para isso por longos períodos de tempo, e os fumantes podem compartilhar o mesmo bocal do narguilé. E, como o fumo em narguilés tem um aroma diferente e agradável, ele fortalece a falsa crença dos fumantes de que é menos nocivo que o cigarro.

Por fim, isso incentiva os fumantes a fumarem mais — até que acabam se tornando fumantes diários. Sem dúvida, aspectos sociais fortalecem o vício em narguilés.[7]

Os narguilés podem ser mais nocivos e viciantes que os cigarros, mas ainda assim não atraem muita atenção como sendo uma fonte de nicotina altamente letal. Como uma rede crescente, a Global Bridges está bem posicionada para lidar com essa nova epidemia emergente, compartilhando melhores práticas e programas de tratamento que podem ser adaptados ao uso de narguilés.

Referências

  1. Maziak W. The global epidemic of waterpipe smoking. Addictive Behaviors. 2011 Jan-Feb;36(1-2):1-5.
  2. Cobb CO, et al. Waterpipe tobacco smoking and cigarette smoking: A direct comparison of toxicant exposure and subjective effects. Nicotine & Tobacco Research. 2011 Feb;13(2):78-87.
  3. Chaouachi K. Assessment of narghile (shisha, hookah) smokers’ actual exposure to toxic chemicals requires further sound studies. Libyan Journal of Medicine. 2011 May 11;6.
  4. Vansickel AR. Waterpipe tobacco products: Nicotine labeling versus nicotine delivery. Tobacco Control. 2011 Jun 2.
  5. Rastam S, et al. Comparative analysis of waterpipe and cigarette suppression of abstinence and craving symptoms. Addictive Behaviors. 2011 May;36(5):555-9.
  6. Kulwicki A, et al. Arab-American adolescent perceptions and experiences with smoking. Public Health Nursing. 2003 May-Jun;20(3):177-83.
  7. Nakkash RT, et al. The rise in narghile (shisha, hookah) waterpipe tobacco smoking: A qualitative study of perceptions of smokers and non-smokers. BMC Public Health. 2011 May 14;11:315.